{"id":1595,"date":"2025-07-18T23:22:39","date_gmt":"2025-07-19T02:22:39","guid":{"rendered":"https:\/\/arddhu.me\/?p=1595"},"modified":"2025-07-19T12:06:39","modified_gmt":"2025-07-19T15:06:39","slug":"cutelo-de-prata-e-a-questao-de-dandara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arddhu.me\/en\/cutelo-de-prata-e-a-questao-de-dandara\/","title":{"rendered":"Cutelo de prata e a quest\u00e3o de Dandara"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">(lux\u00faria)<\/h2>\n\n\n\n<p>Das quatorze placas decoradas que vi nos \u00faltimos quil\u00f4metros n\u00e3o entendi nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estavam escritas em um alfabeto que eu conhe\u00e7a, o que n\u00e3o \u00e9&nbsp;estranho j\u00e1 que conhe\u00e7o apenas o alfabeto comum do meio no qual fui criado, entre uma \u201cparede babil\u00f4nica verborr\u00e1gica\u201d que exaltava a individualidade da alma, e uma \u201cfalta complexa de autoamor\u201d para quem tudo era sempre belo.<\/p>\n\n\n\n<p>As placas com tantos s\u00edmbolos estranhos eram leiloadas no centro da cidade velha, logo depois do rio. T\u00ea-las em suas propriedades representava alguma coisa que eu n\u00e3o pudera captar ainda pela dist\u00e2ncia esquizofr\u00eanica que mantive dessa sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu pai era a \u201cparede babil\u00f4nica verborr\u00e1gica\u201d, dotado de uma pan-cultura p\u00f3s-erudita que mesclava conhecimentos almejados pelos herboristas divinos e gen\u00e9ticos de esquina, pelos xam\u00e3s dos V8 e os confrades das m\u00e1scaras. Ganhou bastante dinheiro enquanto manteve-se como um \u00eddolo, imp\u00e1vido e inalcan\u00e7\u00e1vel. Perdeu tudo quando tentou se humanizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja que, mesmo meu pai sendo um \u00e1s da cultura, jamais me proporcionou alguma erudi\u00e7\u00e3o, dizia constantemente que n\u00e3o tinha filho, pois qualquer filho que fosse por ele parido seria um ideal, algo oriundo do reino superior das ess\u00eancias inef\u00e1veis. Sempre me achou meio lerdinho pra me proporcionar algum benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse ponto j\u00e1 podem imaginar que a \u201cfalta complexa de auto-amor\u201d foi minha m\u00e3e, uma suicida obscura que escolheu seu momento exato para deixar esse mundo. Levava sempre uma bolsa cheia de badulaques,&nbsp;presentes dados pelas suas tias, amigas, irm\u00e3s e pessoas que em falsidade sempre sorriam quando perguntavam como iam as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca foram bem, e elas sabiam, mas n\u00e3o queriam se enfiar naquele meio. Mam\u00e3e trocou alguns dos badulaques em uma pista de velocidade, dei depois falta pela havaiana \u00e0 corda que bamboleava uma saia de folhas, e escolheu um aben\u00e7oado V8 verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse que queria sentir o aroma de gasolina e o da borracha queimada. Duvido que tenha sentido algo quando se chocou com a parede das lamenta\u00e7\u00f5es que barrava o rio. Duzentos e cinquenta quil\u00f4metros por hora n\u00e3o d\u00e3o luxo nem permiss\u00e3o dos sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi esse&nbsp;o motivo da humaniza\u00e7\u00e3o de minha figura paternal. Ele conseguiu esquecer rapidamente a dor social entre um baseado de melado budista e o rebolar ass\u00edncrono de uma gueixa pr\u00e9-paga. Uma branquinha que conseguiu fazer o p\u00e9 de meia com o velho. Se bem me lembro, seu nome era Holda. Ou Helga, na verdade n\u00e3o importa.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua humaniza\u00e7\u00e3o aconteceu quando ele deixou o patamar iconoclasta para usufruir do fruto acumulado de seu burgo. Nessa \u00e9poca, conheci Dandara, uma negra de tra\u00e7os finos que estudava para se tornar uma gueixa p\u00f3s-paga. Aquele tipo que proporciona garantias ilimitadas para quem pode arcar.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdi alguns quilos de juventude em seus quadris. Para ela, tudo era apenas treinamento para chegar \u00e0 milhagem necess\u00e1ria para o pr\u00f3ximo grau de sua estranha pir\u00e2mide social. A cada gozo, eu s\u00f3 me preocupava em como fazer para tir\u00e1-la de cima de mim. Nunca entendi essa necessidade por prazeres intermin\u00e1veis com intuito de superar o tempo, a necessidade por algo que sublimasse o puro prazer do momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Soube da morte de meu pai enquanto cortava carne para tentar comprar uma jade para Dandara. Deram-me a not\u00edcia junto a uma carta de d\u00e9bitos que eu herdara. D\u00e9bitos que foram feitos na mesa de uma roda de Roleta-Russa legalizada, a bordo de um Zeppelin oriental. Numa rodada do prazer para poucos, o velho apostou mais do que tinha. D\u00edvida herdada \u00e9 uma merda e eles enfiam ela dentro de voc\u00ea se n\u00e3o for paga.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s receber esse presente, levantei o cutelo com poesia, imaginei que o pesco\u00e7o do frango era o pesco\u00e7o de meu pai. O frango n\u00e3o fez barulho nenhum depois do golpe. Quem quer que tenha comido aquele sacrif\u00edcio libado a deuses n\u00e3o nomeados provavelmente ganhou um c\u00e2ncer na bexiga, o mesmo que meu velho, o mij\u00e3o, escondera at\u00e9 n\u00e3o poder mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dandara gostou da jade, me introduziu na noite em que a presenteei a um show especial que criara. Nomeou aquela performance de &#8220;Solidifica\u00e7\u00e3o de Eroto-Prana&#8221;, ela era escolada nas tradi\u00e7\u00f5es que envolviam palavras como Prana, Dharma, Qabbalah e&nbsp;Abrahadabra.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que ampliou esse interesse quando se deixou dominar pela \u00fanica vez e eu disse a ela que eu era um Deus de Prata, que a inoculava com a semente de uma ra\u00e7a superiora. Visitamos uma \u00fanica vez a \u00faltima morada de papai, ela gostou dos livros dele e consegui troc\u00e1-los por mais algum tempo de prazer sem culpa ap\u00f3s a gota de uma droga chamada de &#8220;melzinho de mo\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo paguei a d\u00edvida, tive ent\u00e3o de que me mudar da torre da Asa 3-Oeste, o burgo abandonado de papai. O dinheiro foi fruto da elimina\u00e7\u00e3o de todas as mem\u00f3rias dele e de mam\u00e3e, naquele dia escrevi em um peda\u00e7o de couro de porco que eu nascera divinamente, fruto da queima da gasolina que irritara algum deus. Ri, fechei a porta, entreguei a chave e voltei para o corte de carne. Demorei algum tempo pra entender a gra\u00e7a daquela frase.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que comecei a ver essas placas, me mudara para o sub\u00farbio da Asa 3-Oeste onde fiquei mais perto de Dandara e do corte das carnes. Primeiro elas eram bem feitas, ouro ou bronze com metal l\u00edquido em movimento. Raras e fant\u00e1sticas. Por algum motivo de economia resolveram usar o pl\u00e1stico e o silicone para as placas seguintes, eram mais bonitas nas primeiras semanas. Desgastadas, foram cultuadas como p\u00f3s-modernidade erosiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Dandara me deu adeus ali no matadouro, algum tempo depois de minha barba j\u00e1 ter se consolidado, deixou algum troco na m\u00e3o do dono e me trancou com ela por dois dias. No fim das contas eu n\u00e3o sabia se o sangue espalhado era meu, dela ou de alguma carne mal cortada.<\/p>\n\n\n\n<p>Passeamos por cada curva que ela tinha, conheci enfim todo seu repert\u00f3rio e repetimos algumas vezes. Ela me disse que nenhum outro homem conheceria todos aqueles movimentos, deu um \u00fanico beijo molhado em minha boca e saiu toda banhada em sangue sacrifical. Provavelmente algo iniciat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem n\u00e3o se importou com nada, mandou outro lote de carne e eu continuei a ampliar a gama de cortes que conhecia. Uma semana depois eu decidi n\u00e3o precisava mais cortar carne e escolhi continuar por mais uma semana, que se transformou em m\u00eas e em seguida em ano, o momento acontecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o homem foi v\u00edtima de um ataque convulsivo brincando com facas el\u00e9tricas o novo dono mandou todo mundo embora, eu me despedi com uma boa joelhada em seu saco, homenagem ao falecido, tomei-lhe dois dentes podres e segui meu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi a primeira placa ap\u00f3s pular do carona que ia seguir para outro lado, perseguia um cometa e me confessou que ele o deixaria milion\u00e1rio, tinha uma picareta para escav\u00e1-lo e ia encontrar alguma coisa que n\u00e3o soube me explicar. Vira tudo em um sonho, e contra o sonho, lutar seria estupidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu disse a voc\u00eas quatorze placas, menti. Na verdade foram bem mais, no entanto estavam amassadas ou em estado de descuido total. As quatorze mencionadas&nbsp;eram as mais bonitas vistas pelo caminho e a \u00faltima delas me lembrou de alguma forma bizarra os dentes de Dandara, retangulares e perfeitamente brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o entendi o que estava escrito, mas conhecia a regi\u00e3o e sabia que ali era propriedade de gente importante, da\u00ed terem cacife para manter uma placa daquelas sempre branca e brilhante. Senti saudades das curvas de&nbsp;Dandara.<\/p>\n\n\n\n<p>Atravessei o rio na terceira noite de caminhada, passei pelo leil\u00e3o das placas e vi todas as se\u00e7\u00f5es que diferenciavam os ricos dos importantes, os pobres dos famintos. Cada se\u00e7\u00e3o tinha direito a apenas uma placa por dia, n\u00e3o era poss\u00edvel negociar nem reclamar. Claro que as placas mais caras eram as mais bonitas, mas naquele emaranhado de perfumes doces e podres todos tinham chance de ter a sua. Todos tinham chance de ter uma identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois homens na porta do bar ao lado do leil\u00e3o conversavam sobre os alfabetos, fingi procurar algo no ch\u00e3o de terra ao lado e ouvi alguma coisa sobre uma cabe\u00e7a de boi ser invertida ou torcida para entrar em conformidade com o significado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me animei, pois logo vi que n\u00e3o falavam de um boi propriamente dito, e que virar a cabe\u00e7a dele n\u00e3o era um m\u00e9todo diferente para sacrificar e fornecer carne. Dei de ombros e entrei no bar.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira pessoa que vi ap\u00f3s passar pela porta foi um Le\u00e3o de Ch\u00e1cara, do alto de seus mais de dois metros e meio de altura ele n\u00e3o fazia revista. Era apenas um snif, snif em cada um que parava na sua frente. Ningu\u00e9m ia tentar entrar com uma arma ali vendo as garras geneticamente estimuladas do gigante, mas ele cumpria seu papel.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrei na pequena fila de tr\u00eas pessoas e aguardei minha vez, observei um pouco aqueles tr\u00eas \u00e0 minha frente e vi que estavam em melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras que eu, o que n\u00e3o era raro tamb\u00e9m. Um deles olhou para tr\u00e1s e fez aquele olhar de quem tomou uma facada no est\u00f4mago e est\u00e1 prestes a vomitar, afinal eu era plebe para ele e n\u00e3o deveria estar no mesmo recinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Encarando um pouco o Le\u00e3o, para n\u00e3o sucumbir a meu impulso de puxar qualquer coisa pontuda da mochila e fazer com que o metido sentisse verdadeiramente a dor que fingira, notei o tamanho das garras dele, n\u00e3o consegui deixar de rir quando imaginei como aquele cara fazia para limpar a bunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Na minha vez ele deu a primeira snifada e na segunda e eu achei que j\u00e1 poderia passar, fui barrado. Ele deu uma terceira snifada e lambeu os bei\u00e7os perguntando se eu podia indicar algum corte especial para ele. Trabalhar com sangue todos os dias n\u00e3o \u00e9 algo que sai com uma lavada de m\u00e3os, prometi que lhe faria uma consultoria completa logo que ele fizesse sua pausa de turno. Entrei e ganhei um cart\u00e3o cinza marmorizado, bem diferente do amarelo v\u00f4mito que os outros ganhavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a corda de conten\u00e7\u00e3o fui recebido por duas meninas com aparentemente n\u00e3o mais de 13 anos, estimuladas geneticamente para aparentarem aquela idade. Elas eram a prata da casa, estar acompanhado delas servia para notificar que eu era algu\u00e9m importante e tinha tratamento preferencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ir\u00f4nico ter sido tratado como algu\u00e9m importante apenas por conhecer certos cortes e t\u00e9cnicas. O riquinho, que h\u00e1 pouco me medira como um filete de bosta em seu caminho, n\u00e3o pode acreditar na cena, ignorei e fomos logo para um quarto onde dispensei as garotas, disse que pegar crian\u00e7as, naturais ou n\u00e3o, n\u00e3o fazia meu estilo. Recebi Dandara logo a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja bem, n\u00e3o era exatamente a minha Dandara, n\u00e3o tinha dentes perfeitos e precisos como os dela, n\u00e3o era negra, mas de um tom mulato desbotado tentando se fixar no jambo. No entanto o olhar profissional era o mesmo. A paix\u00e3o com os quadris era a mesma. Chamei-a pelo resto da noite de Dan.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu nome pelo que lembro era M\u00f4nica, mas n\u00e3o ligou de ser chamada por outro nome enquanto desempenhava sua fun\u00e7\u00e3o. Ela me&nbsp;confessou, de quatro, estava acostumada ser chamada de nomes piores. Percebi que era um convite.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui \u00e0 forra com a mulata, no come\u00e7o do movimento ela tentou me surpreender com alguns rebolados que conhecia, sem sucesso. Em seguida guiei-a com alguns dos rebolados que foram elevados \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o com Dandara. Me senti o verdadeiro Deus de Prata quando ela orgasmou&nbsp;consecutivamente e quase caiu, de pernas bambas e sem conseguir se levantar por longos minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s deix\u00e1-la de lado, para mergulhar em um drinque do qual pulavam fa\u00edscas, rapidamente a parede de tr\u00e1s do quarto se abriu, revelando ser um camarote para o resto do bar, com vista exclusiva para a pista de dan\u00e7a e vis\u00e3o privilegiada para o festim sado-burlesco que acontecia nesse segundo andar, logo \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>O seguran\u00e7a bateu na porta antes de entrar, Dan o recebeu e em seguida saiu deixando-nos a s\u00f3s. A consultoria foi r\u00e1pida, ele me pediu indica\u00e7\u00e3o e eu pedi uma cabra. Feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele me pediu um corte e eu dei a ele tr\u00eas. Feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele cara comia muita carne, uma necessidade de quem tem um sistema gen\u00e9tico como o dele para alimentar, deviam ser c\u00e9lulas de deuses ou algo dessa complexidade. Apaixonou-se pelo&nbsp;corte traseiro enviesado, feito com uma explos\u00e3o de sangue ap\u00f3s amarrar bem apertada a art\u00e9ria da perna.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s v\u00ea-lo saborear a carne ainda sangrando ,com a habilidade de um verdadeiro conhecedor, expliquei a seu funcion\u00e1rio sobre as veias e os nervos a se evitar, e desenhei rapidamente um mapa para gui\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse que o funcion\u00e1rio n\u00e3o cuidava de cortes, ele tinha a doen\u00e7a da tremedeira e n\u00e3o conseguia cortar um cent\u00edmetro sem fazer zig&nbsp;zag. O seguran\u00e7a parou por alguns minutos pensando e me fez uma proposta, daquelas que voc\u00ea recusa apenas se quiser ser morto ou for idiota a ponto de n\u00e3o entend\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase perdi o ar com o abra\u00e7o de satisfa\u00e7\u00e3o e agradecimento do Le\u00e3o, ele disse que a noite era por conta dele e deixou o quarto. Escolhi as mulheres n\u00e3o mais pensando em Dandara. Dan conseguiu sufocar a saudade por tempo suficiente para que o Deus de Prata experimentasse o mais fino da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mei foi a primeira. Uma oriental de coxas enormes e muita habilidade em prolongar o prazer de um homem, sorria quase convulsivamente a cada orgasmo e logo me cansou pela falta de habilidade em rebolados<\/p>\n\n\n\n<p>Ang\u00e9lica foi a segunda. Magra, olhos azuis e uma cabeleira longa, cheia de ondas e volumosa, ela chegou toda cheirosa lan\u00e7ando seu aroma p\u00eassego pelo ar e me prometendo mais do que conseguiu cumprir. Ap\u00f3s se assustar com meu conhecimento de sua anatomia e com a descoberta que fiz, de que ela adorava ser asfixiada, tentou fazer o tipo namoradinha. Tchau!<\/p>\n\n\n\n<p>Tive uma terceira e na quarta recebi uma quinta junto, o coment\u00e1rio j\u00e1 tinha sido feito e cada uma delas queria ver se eu descobria os segredos delas. Me deliciei em ver que todas ficaram at\u00f4nitas com a constata\u00e7\u00e3o que eu descobria, agradecia a Dandara pelos segredos de cada rebolado.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas foram in\u00fameros prazeres, e um sem n\u00famero de reboladas que eu j\u00e1 conhecia de traz para frente, a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida foi o porqu\u00ea daquelas placas serem t\u00e3o importantes. Cada placa era como um esp\u00edrito, um guardi\u00e3o, algo bem g\u00eanio da garrafa que protegia a casa em que fosse colocada da sorte de monstruosidades que os Gregoraquinianos, os reis do mundo, soltavam \u00e0s vezes para passar o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem descobrira isso e como produzir essas placas ningu\u00e9m contaria, do contr\u00e1rio os reis poderiam ca\u00e7\u00e1-lo. Ou ca\u00e7\u00e1-los, devia ter mais de uma pessoa que soubesse isso, mesmo que os leil\u00f5es fossem particularidade da cidade, a forma encontrada para proteger a vida dos moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Acordei na manh\u00e3 seguinte revigorado e troquei n\u00famero de telefone com as garotas, que talvez jogassem meu n\u00famero fora e&nbsp;com o Le\u00e3o, que eu ainda n\u00e3o sabia, mas viria a se tornar meu maior cliente, al\u00e9m de patrocinador.<\/p>\n\n\n\n<p>Na rua, debaixo daquele cinza que eram os dias, sempre sem sol, foi que decidi dar uma andada pela cidade, ainda sentindo o cheiro de oportunidade no ar. Enfim escolhi uma vizinhan\u00e7a bacana, bati na porta da casa que gostei e que n\u00e3o tinha uma placa ainda. Soube de quem ela era e quanto teria de pagar, anotei tudo mentalmente e voltei ao caminho inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Demorei mais quatro dias pra chegar \u00e0 cidade de Dandara, durante esses dias revisei meus planos e recebi um telefonema do Le\u00e3o, que acertou todos detalhes comigo e me deu o sinal positivo para prosseguir com o plano.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade de Dandara era marcada por longos edif\u00edcios escarlate, ruas negras e uma limpeza ass\u00e9ptica nas ruas que me causava nojo. N\u00e3o zanzei muito por ali e fui direto para a zona das gueixas p\u00f3s-pagas, eu sabia que era para l\u00e1 que ela se dirigira depois de formada.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui tomado como mendigo logo nos port\u00f5es, o seguran\u00e7a deles logo veio ao meu encontro e me reconheceu, disse que tudo estava arranjado. O Le\u00e3o, seu irm\u00e3o de armas, como alegou, tinha feito boas recomenda\u00e7\u00f5es. Passei dois cortes de boi para ele e ganhei em uma caixa de madeira muito bonita um cutelo de prata, feito dos restos de alguma placa cuja hist\u00f3ria para eles era um tabu. Tinha algumas inscri\u00e7\u00f5es que eu tamb\u00e9m n\u00e3o entendia e davam a ele um ar ritual\u00edstico, Dandara se apaixonaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Coloquei aquele afiado instrumento de arte na cintura e fui at\u00e9 a casa principal da zona, onde estavam as&nbsp;gueixas que se esfor\u00e7avam tal qual Dandara, o irm\u00e3o do Le\u00e3o me indicou o caminho e disse n\u00e3o me acompanhar por saber que eu conseguiria tudo sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentaram me colocar pra fora da casa, o dono apareceu ap\u00f3s eu dizer que era marido de Dandara e tentou me intimidar dizendo que ela agora pertencia a ele de papel passado. Contra essas leis eu n\u00e3o teria o que fazer e teria de engolir a seco.<\/p>\n\n\n\n<p>Teria, n\u00e3o fosse a falha dele em esconder a marca de falsifica\u00e7\u00e3o do documento, se papai me ensinara sem perceber alguma coisa que eu jamais julgara vir a ser \u00fatil em minha vida, fora a reconhecer uma falsifica\u00e7\u00e3o grosseira. Devo ter sorrido como um psicopata, a lei estava a meu favor.<\/p>\n\n\n\n<p>Cortei a m\u00e3o do camarada com um s\u00f3 golpe, n\u00e3o foi um golpe bonito nem pl\u00e1stico, atingiu da maneira errada a art\u00e9ria e ele se tornou um esguicho disperso de sangue. O segundo golpe na parte traseira da coxa,&nbsp;enquanto ele tentava correr, foi como um golpe contra um novilho. Arranquei um bife de ponta a ponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, os golpes seguintes foram feitos com requinte de crueldade&nbsp;art\u00edstica herdada do casamento grotesco de meus pais. Enquanto eu tentava deixar o resto da sala pintada da mesma cor, apenas firmava a individualidade de minha alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ex\u00e9rcito de seguran\u00e7as apareceu pra me escalpelar vivo, eram os tipos de caras contra quem o cutelo n\u00e3o faria um arranh\u00e3o, acho que foi a \u00fanica hora onde eu quase me borrei. Tive um \u00edmpeto de coragem e levantei o cutelo preparado para morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as ao irm\u00e3o do Le\u00e3o, eu apenas sentei em uma mesa e ap\u00f3s mais de vinte consultorias de cortes eles me indicaram que ela estava no quarto andar da casa, era mantida como escrava de chicotadas, perguntaram se eu queria ajuda e eu respondi que n\u00e3o, um verdadeiro homem resolvia sozinho esse tipo de assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de subir me contaram que o dono broxa da casa nunca tinha conseguido uma ere\u00e7\u00e3o pra saborear aqueles gl\u00fateos. Decidiu por fim que, se ele n\u00e3o podia, ningu\u00e9m mais poderia. Com isso,&nbsp;alugava o couro de Dandara como alvo para os pervertidos que sentiam falta das surras que tomavam quando crian\u00e7a e s\u00f3 podiam devolv\u00ea-las a algu\u00e9m pagando uma boa quantia. Pat\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses broxas eram mais numerosos que eu imaginava, imaginei que eram todos amigos do dono ao v\u00ea-los fazendo uma fila que dobrava o corredor, chegando perto da escada. Um a um bradavam seus chicotes com um orgasmo entalado na garganta pronto para desferir os a\u00e7oites na bunda redonda de Dandara.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 consegui fazer um bom servi\u00e7o no \u00faltimo da fila. Os \u00faltimos realmente s\u00e3o os primeiros, lembrei, pois aquele foi o \u00fanico que atingi com surpresa, todos os outros tentaram correr, alguns invadiram quartos sendo surrados por todo tipo de pervertido que ainda tinha verve.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros pularam pela janela em pura estupidez. Por fim restava a porta com uma enorme placa acima, nela, mais uma das muitas inscri\u00e7\u00f5es que eu n\u00e3o conseguia ler. Usei a ma\u00e7aneta como todo homem civilizado usaria para entrar em um recinto e tive como primeira vis\u00e3o o magrinho branquelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um tipinho tosco, pancinha saliente em um corpo magrelo, usava um a\u00e7oite cromado e j\u00e1 tinha desferido uma meia d\u00fazia de golpes naqueles montes g\u00eameos. Dandara estava de quatro, amarrada, tinha um cinto de castidade que a protegia de viola\u00e7\u00f5es, mas permitia as chibatas perfeitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se preparava para mais um golpe quando deve ter visto minha sombra e se virou, deu de cara comigo e recebeu o cutelo entre os olhos. N\u00e3o calculei direito a for\u00e7a do golpe e ele sobreviveu.&nbsp; Ainda estava vivo, com um a\u00e7oite no meio da testa chorando e sangrando em desespero igual uma criancinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gemidinhos de dor dele me irritaram, uma bica no est\u00f4mago fez ele se calar e ficar im\u00f3vel o suficiente para arrancar o cutelo de volta, desmaiou com a vis\u00e3o do sangue que vertia de sua cabe\u00e7a. Cortei as amarras de Dandara e ela me olhou com aquelas duas p\u00e9rolas negras que tinha como olhos com paix\u00e3o pela primeira vez na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi logo atr\u00e1s uma c\u00e2mera que filmava tudo ali, provavelmente era a \u00fanica forma com a qual o dono broxa conseguia ter alguma ere\u00e7\u00e3o, uma voz saiu dela e percebi que era um dos seguran\u00e7as, avisando que tudo seria apagado e eu n\u00e3o precisaria me preocupar, o pr\u00f3ximo dono estava esperando para tomar posse daquele pr\u00e9dio. Clientes satisfeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dandara estava magra, p\u00e1lida e abatida, mal comia e fazia muito tempo que n\u00e3o via a luz do sol. Eu a abracei, ri e disse que um pouco de carne resolvia aquilo rapidamente. Ela me deu um beijo na boca e disse que n\u00e3o me amava, mas que ficaria comigo pra conseguir aprender isso alguma hora.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim que chegamos \u00e0 cidade velha o Le\u00e3o j\u00e1 tinha resolvido tudo conforme combinado. Ele mesmo comprara nossa nova casa como um empr\u00e9stimo que eu pagaria oportunamente. Assim que entramos, eu a coloquei na cama e resolvi que ia preparar um belo bife para ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco antes que eu chegasse \u00e0 porta ouvi meu nome sendo sussurrado, cheguei bem perto e ouvi que ela tinha fome, mas de outra coisa e que deixaria a carne pra depois&#8230; Ou durante, se eu preferisse.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos atracamos como duas criaturas no cio, o que era de costume, e a cada rebolada que execut\u00e1vamos em homenagem aos dias do passado, e aos presentes do futuro, eu me perguntava se amor era aquilo, ter a certeza de que apenas os rebolados dela poderiam saciar minha vontades em cada um de seus momentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana seguinte aprendi a ler um pouco de algumas das placas, foi exig\u00eancia de Dandara, pois logo ter\u00edamos a nossa. Na segunda semana eu j\u00e1 conseguia ler a maior parte do que estava escrito em algumas, mas ainda n\u00e3o inteiramente.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Dandara recuperava sua plenitude, me usando como cobaia para novos rebolados que somente usaria comigo, segundo sua palavra, pude aos poucos perceber que minha influ\u00eancia havia se tornado massiva, os clientes mal davam descanso, vinham de todos os lugares, e em sua maioria, indicados pelo Le\u00e3o, esse era o mal das c\u00e9lulas de deuses e dem\u00f4nios que eram implantadas nesses caras, uma fome que apenas a carne e o preciso corte podiam saciar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim chegou o t\u00e3o esperado dia no qual eu faria parte do leil\u00e3o, na ala mais importante onde as placas mais desejadas eram dueladas quase como um peda\u00e7o de carne em uma briga de c\u00e3es famintos portando foices. Tudo estava arranjado para que fosse eu o vencedor, cortesia de meu mais fiel cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os gritos e disputas dos pobres e famintos, e a empertigues do leil\u00e3o rico, minha ansiedade foi acalentada pelo sentimento bizarro que foi ler, pela primeira vez em minha vida, uma placa do come\u00e7o ao fim. Ela era bela, era minha, feita de ouro e bronze polido com detalhes em couro-bravo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fixada na porta de casa, nela eu pude entender a felicidade e a import\u00e2ncia de quem as tinha de longa data, l\u00e1 eu&nbsp;pude pela primeira vez entender essa felicidade ao ler a cada dia que iniciava um dia de trabalho que nela estava escrito: A\u00e7ougue Cutelo de Prata!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(lux\u00faria) Das quatorze placas decoradas que vi nos \u00faltimos quil\u00f4metros n\u00e3o entendi nenhuma. 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