{"id":1601,"date":"2025-07-18T23:25:52","date_gmt":"2025-07-19T02:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/arddhu.me\/?p=1601"},"modified":"2025-07-19T13:42:53","modified_gmt":"2025-07-19T16:42:53","slug":"segredos-sobre-a-jornada-mercurial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arddhu.me\/en\/segredos-sobre-a-jornada-mercurial\/","title":{"rendered":"Segredos sobre a jornada mercurial"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">(avareza)<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8211; A beleza do c\u00e9u de hoje n\u00e3o \u00e9 sequer sombra da de antigamente. Mal podemos ver as estrelas&nbsp;\u2013 Lunara suspirou enquanto pintava aquele c\u00e9u cinzento com cores de sua imagina\u00e7\u00e3o, usou primeiro o verde de seus olhos, em seguida o tom raro acobreado de sua pele e por fim o loiro que tinha em algumas mechas de seu cabelo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8211; Os mais velhos falam de uma \u00e9poca na qual&nbsp;n\u00e3o se preocupavam tanto em v\u00ea-lo, ele estava sempre l\u00e1 a esperar e ningu\u00e9m iria tir\u00e1-lo dali.&nbsp; Os que tentavam n\u00e3o podiam v\u00ea-lo bem de dia, com o Sol brilhando a ponto de machucar os olhos, nem de noite, se viviam nas cidades. Luzes artificiais iluminavam tanto que cobriam qualquer vis\u00e3o celeste.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o como eles conseguiam ver o c\u00e9u, senhorita? \u2013 Eli, o jovem protegido de Lunara, perguntava cheio da curiosidade t\u00edpica dos jovens ouvindo hist\u00f3rias sobre um tempo distante.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;&nbsp;Se afastavam das cidades, iam para os lugares distantes onde n\u00e3o existiam luzes artificiais e s\u00f3 ent\u00e3o podiam contemplar a verdadeira beleza do c\u00e9u e das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mas isso faz muito tempo?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim&nbsp;Eli, foi antes de eu nascer.&nbsp;Ainda assim acredito que se eu visse o c\u00e9u ele seria exatamente como eu o imagino. Sabe, \u00e0s vezes eu o vejo em meus sonhos, quando tento acompanhar o Peregrino. \u2013 Olhou profundamente os olhos amendoados do garoto com pouco mais de dez anos, careca como era o costume para os aprendizes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu gostaria de v\u00ea-lo um dia tamb\u00e9m, senhorita.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea ir\u00e1, quando completar seus doze anos e for um homem&nbsp;ser\u00e1 aceito na Sinagoga Sinistra, e ent\u00e3o poder\u00e1 ver o teu Peregrino \u2013 Falava sobre o rito de passagem pelo qual ele passaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrava muito bem de qu\u00e3o especial era aquele momento, ainda mais para ela que se tornara especial para toda a congrega\u00e7\u00e3o, recebendo ensinamentos que completavam as lacunas dos mestres daqueles dias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o o Peregrino, senhorita, o c\u00e9u \u2013 Lunara&nbsp;entretida no pr\u00f3prio reflexo nos olhos do garoto se confundiu e riu, n\u00e3o sabia se via as esperan\u00e7as dela refletidas nele, ou se eram a pureza com a qual ele via sua senhorita.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu espero que um dia possamos juntos ver esse c\u00e9u e que ven\u00e7amos a Mortalha que cobre o mundo desde o dia que o Inferno e a Terra se juntaram. Mas agora me diga Eli, qual \u00e9 seu recado?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Os outros mestres a chamaram, disseram que encontraram o que voc\u00ea est\u00e1 procurando.<\/p>\n\n\n\n<p>De volta \u00e0 realidade, Lunara&nbsp;se via ao lado de Eli naquela terra in\u00f3spita que se tornara toda extens\u00e3o conhecida do mundo, a mesma que clamara seu sangue e seus juramentos no seu d\u00e9cimo segundo anivers\u00e1rio para que os homens tivessem uma segunda chance.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Se eles j\u00e1 sabem onde est\u00e1, partirei logo. Sele Draunir e deixe-o pronto para a viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim, senhorita. Mas tem certeza? Dizem que ele \u00e9 cruel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o se preocupe, ele n\u00e3o o ser\u00e1 com voc\u00ea. Apenas respeite-o e fa\u00e7a o que ele pedir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a instru\u00e7\u00e3o, Eli saiu do aposento rumo \u00e0 estrebaria descendo a escada da torre de Lunara sem fazer barulho, ela apreciava a leveza do garoto. Olhou uma \u00faltima vez para o c\u00e9u e em seguida para seu quarto, organizou o que levaria consigo em mala uma deixando-a&nbsp;para a viagem, s\u00f3 ent\u00e3o seguiu para o tabern\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lunara, n\u00f3s encontramos enfim a informa\u00e7\u00e3o que o Peregrino lhe disse nos sonhos. Temos a tradu\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo e com ele voc\u00ea poder\u00e1 encontrar o tomo.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem de olhos azuis e severos era Nial, um dos mestres da Sinagoga. Velho, com ralo cabelo branco, sentava-se no centro do meio c\u00edrculo do tabern\u00e1culo como forma de prest\u00edgio por ser o mais antigo ali.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8211; Sim, senhor. E onde irei encontrar esse tomo?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O \u00fanico lugar onde ele poderia estar, minha querida, em Novalexandria \u2013 O homem quebrou a express\u00e3o severa deixando escapar um breve sorriso s\u00e1dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o gostava de Lunara desde a ocasi\u00e3o no qual&nbsp;ela resistira a seus avan\u00e7os afetivos, quando mais nova. Tal desgosto crescera ainda mais quando ela se tornou a mestra mais jovem a ser aceita e ele teve de passar a trat\u00e1-la como um igual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Novalexandrinos&#8230; \u2013 disse a palavra com apreens\u00e3o, sabia da fama que eles tinham quanto a sua possessividade pelos tesouros que guardavam.<\/p>\n\n\n\n<p>-&#8230; Ser\u00e1 uma aventura interessante \u2013 e devolveu o sorriso a Nial fazendo com que ele cerrasse os dentes perante aquele desafio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea chama de aventura um assunto da maior import\u00e2ncia para nosso povo?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim, \u00e9 claro que \u00e9 uma aventura, qualquer dia viajando fora dessas muralhas, seja qual for o objetivo, \u00e9 uma. N\u00e3o tome minhas palavras por levianas, s\u00e3o apenas palavras de uma pessoa jovem com muita disposi\u00e7\u00e3o para encarar tais desafios. \u2013 Mencionar sua idade era sempre um golpe contra o velho e, embora o odiasse, precisava manter o ar de respeito por ele devido a sua posi\u00e7\u00e3o na Sinagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>Nial franziu a teste em raiva, trocaram olhares faiscantes por alguns segundos at\u00e9 que Matrona, outra mestra&nbsp;e, a segunda mais velha, interrompeu aquela disputa com suas doces palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Como pretende ir, minha filha, devemos pedir ao xam\u00e3 Elias que conjure os esp\u00edritos e fa\u00e7a o V8 se mover ou devo pedir a Belerofonte que sele um de nossos \u00c1rabes?<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00c1rabes eram os tr\u00eas \u00fanicos cavalos que existiam, um reprodutor velho e duas \u00e9guas jovens demais para fazer uma viagem. Ainda, sob eles recaia toda a esperan\u00e7a de Belorofonte em recuperar a esp\u00e9cie que era considerada extinta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Nenhum dos dois, senhora. Os \u00c1rabes n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00e3o de ag\u00fcentar essa viagem,&nbsp;seria lev\u00e1-los para a morte. J\u00e1 o V8 se torna invi\u00e1vel para uma viagem sozinha, eu n\u00e3o sei dirigi-lo t\u00e3o bem \u2013 N\u00e3o podia confiar em m\u00e1quinas movidas por esp\u00edritos se iria em dire\u00e7\u00e3o aos Novalexandrinos, qualquer armadilha, e ela estaria realmente enrascada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E como pretende fazer essa viagem, espero que n\u00e3o esteja pensando em ir por suas pr\u00f3prias pernas \u2013 Ao contr\u00e1rio de Nial, a Matrona demonstrava preocupa\u00e7\u00e3o, sem ironia ou sarcasmo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; De forma alguma, Senhora, j\u00e1 pedi a Eli que sele Draunir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Como ousa libertar aquela vil e insidiosa criatura? N\u00e3o pense que voc\u00ea ir\u00e1 fazer isso e ficaremos calados, aquele monstro matou dois de meus mais fi\u00e9is aprendizes&nbsp;\u2013 Nial enfurecera-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara esperou que ele&nbsp;terminasse seu surto, o rosto do homem inchara quando ele perdera o controle e ficara vermelho de t\u00e3o nervoso. Quando ele se acalmou e tomou por vencida a discuss\u00e3o, ela&nbsp;respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Senhor Nial, n\u00e3o vou dizer que Draunir \u00e9 uma criatura naturalmente boa, o fato de ele ser uma criatura do Inferno p\u00f5e um ponto final sobre esse assunto. Agora, quanto a seus homens, eles mereceram a morte que tiveram&nbsp;por atentar contra uma vida por puro capricho gastron\u00f4mico. Estou falando de uma criatura viva e inteligente que apenas se defendeu de dois imbecis que queriam forrar o est\u00f4mago com, \u201ccarne ex\u00f3tica\u201d, se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mesmo que&#8230; \u2013 Nial iniciaria outro discurso acalorado, quando Lunara elevou sua voz e o interrompeu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu n\u00e3o terminei de falar! Acho que esqueceu que eu n\u00e3o estou abaixo de voc\u00ea, e sim, sou sua igual. Trato-o por \u201csenhor\u201d por educa\u00e7\u00e3o aos mais velhos, mas n\u00e3o tome essa educa\u00e7\u00e3o como sinal de submiss\u00e3o, decidi levar Draunir pois confio em sua honra a ponto de ter enviado meu protegido, Eli, para sel\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O velho engolia calado cada palavra, Lunara estava com a raz\u00e3o, n\u00e3o tinha como exigir nada dela, tamb\u00e9m mestra da Sinagoga. Com isso seu olhar odioso atravessou a sala enquanto bufava ardentemente pela ousadia dela em trat\u00e1-lo daquela forma, sem mais possibilidades de fazer sua vontade valer, vociferou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea vai se arrepender disso, garota, sua impertin\u00eancia e insubordina\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o toleradas por esse conselho \u2013 Ent\u00e3o Matrona o interrompeu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Basta, Nial! \u2013 conforme se levantara de sua cadeira a sala fora tomada por uma r\u00e1pida rajada de vento, o sinal de que o velho tinha conseguido irrit\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Se Lunara nos d\u00e1 sua palavra de que a criatura \u00e9 de confian\u00e7a n\u00f3s a tomamos por certa, \u00e9 hora de repararmos o seu erro, n\u00e3o me lembro de ter sido permitido a tal criatura um julgamento justo antes de ser jogada naquela cela. Voc\u00ea tem agido impunemente sem levar em conta que isto \u00e9 um conselho e que todas as vozes aqui s\u00e3o iguais. Se voc\u00ea se op\u00f5e a ela, votemos!<\/p>\n\n\n\n<p>A vota\u00e7\u00e3o favoreceu&nbsp;Lunara. Vencido, o velho saiu de sua poltrona em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta seguido&nbsp;dos dois \u00fanicos mestres que ficaram ao seu lado na vota\u00e7\u00e3o. Antes que chegasse \u00e0 porta, Matrona lhe perguntou, com a mesma voz suave de outrora:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 se esquecendo de nada, Nial?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele parou, voltou-se a Lunara e jogou em sua dire\u00e7\u00e3o uma pequena lasca de pedra com a esperan\u00e7a de que ela acertasse seu rosto,&nbsp;frustrado ap\u00f3s ver a mulher pegar a pedra sem o menor esfor\u00e7o, abandonou o tabern\u00e1culo batendo a porta atr\u00e1s de si.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Receba ent\u00e3o nossa ben\u00e7\u00e3o, minha filha \u2013 Todos se levantaram e estenderam as m\u00e3os em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Matrona, que proferiu a ben\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPossam os ancestrais verdejar teu caminho pelas entranhas do vale da morte<\/em><em>,<\/em><em><br>&nbsp;possa o teu <\/em><em>Peregrino<\/em><em> proteg\u00ea-la e <\/em><em>aben\u00e7o\u00e1-la<\/em><em> com a coragem do le\u00e3o e da \u00e1guia,<\/em><em><br>&nbsp;n\u00e3o ter\u00e1s medo do terror da noite nem da seta que voa na penumbra,<\/em><em><br>&nbsp;nem da peste que anda na escurid\u00e3o<\/em><em>nem da mortandade que assola ao meio do dia,<\/em><em><br>&nbsp;mil cair\u00e3o ao teu lado, e dez mil \u00e0 tua direita, mas n\u00e3o chegar\u00e1 a ti.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Lunara&nbsp;agradeceu ao encantamento lan\u00e7ado e guardou a lasca de pedra em seu bolso, saudou aos mestres restantes e saiu do tabernaculo, ciente de que embora Nial&nbsp;fora&nbsp;vencido pelo conselho, ele n\u00e3o pararia ali em seus surtos de desmandes.<\/p>\n\n\n\n<p>A jornada \u00e0 sua frente s\u00f3 poderia ser feita com o aux\u00edlio e a f\u00e9 no Peregrino.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>Eli co\u00e7ava a cabe\u00e7a encabulado quando Lunara chegou, riram juntos, pois ele temera tanto Draunir e estava inteiro, sem nenhum dedo faltando, que era imposs\u00edvel n\u00e3o achar engra\u00e7ada aquela situa\u00e7\u00e3o. Repassou pela \u00faltima vez os cuidados que deveria tomar com a aus\u00eancia de sua tutora e se despediu com um abra\u00e7o, recebendo ent\u00e3o uma ben\u00e7\u00e3o e um beijo em sua testa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a sa\u00edda de Eli ela tomou um longo banho quente temendo que n\u00e3o pudesse tomar outro t\u00e3o cedo, arrumou-se e pegou a mochila j\u00e1 pronta. Desceu as escadas de seu aposento e passou pelo sal\u00e3o principal onde Nial&nbsp;conversava com seus dois amigos entre uma colherada e outra de sopa. Tentou passar r\u00e1pido para evitar olhares, gracinhas ou provoca\u00e7\u00f5es, sem sucesso:<\/p>\n\n\n\n<p>-&#8230; Ir\u00e1 sozinha, pois ningu\u00e9m a ama, nem mesmo aquele bastardo que ela toma como protegido. Ele apenas se apega a ela com medo de que eu exponha sua verdadeira hist\u00f3ria \u2013 A insidiosidade dele foi a gota d\u2019\u00e1gua para Lunara.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ele mantinha suas amea\u00e7as a ela, pouco importava, faltava ao homem coragem para tentar qualquer coisa, mas Eli era uma crian\u00e7a indefesa. Aquilo mexeu com suas entranhas e antes que ela percebesse, estava levantando Nial pelo pesco\u00e7o:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Um arranh\u00e3o, uma queixa. Qualquer ato de agress\u00e3o e eu esquecerei sua posi\u00e7\u00e3o, arrancarei sua pele como a de uma raposa lhe deixando vivo, para sofrer pelo mal causado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nial sufocava com a for\u00e7a dos dedos de Lunara, sabia da diferen\u00e7a de idade entre eles, mas jamais esperaria tamanha for\u00e7a a ponto de ergu\u00ea-lo mais de trinta cent\u00edmetros do ch\u00e3o, como a um graveto. Os dois outros mestres tentaram em v\u00e3o faz\u00ea-la soltar o amigo, a f\u00faria cega apenas se esvaiu quando Matrona se aproximou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; V\u00e1, minha filha, n\u00e3o importa o que este homem velho e rancoroso tenha dito. Cuidarei pessoalmente de Eli e de sua seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara soltou Nial ao ouvir aquelas palavras, o velho caiu no ch\u00e3o igual a um saco de batatas, mal conseguindo se recompor daquele ataque surpresa.&nbsp;Ela atravessou o sal\u00e3o principal e agora estava segura de que nada aconteceria a Eli, pois o velho, embora fosse astuto e vingativo, prezava demais sua pr\u00f3pria integridade, o que significa que ele temia Matrona.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Chegou \u00e0 estrebaria, um dos lugares mais bem cuidados da Sinagoga que indicavam a paix\u00e3o de Belerofonte pelos eq\u00fcinos, passou pelos \u00c1rabes certificando-se de que estavam em melhores condi\u00e7\u00f5es das quais chegaram e encontrou o respons\u00e1vel que sorriu ao v\u00ea-la se aproximar:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mestra Lunara. Quanta honra t\u00ea-la aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o me chame de mestra Bel, temos quase a mesma idade. \u201cMestra\u201d faz com que eu me sinta velha antes do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u00c9 o costume em lidar com todos os mestres, autom\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tudo bem, mas quando estivermos apenas entre n\u00f3s pode me chamar pelo meu nome, ficarei mais a vontade. E como est\u00e1 Draunir?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mes&#8230; Lunara, a for\u00e7a e a sa\u00fade dessa criatura s\u00e3o incr\u00edveis, mesmo ap\u00f3s tanto tempo preso ele continua melhor que os \u00c1rabes que s\u00e3o bem tratados desde sua chegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquilo a contentava, sabia que se algu\u00e9m cuidaria bem de qualquer animal parecido com um cavalo, seria Belerofonte, mal podia esperar para mont\u00e1-lo e iniciar sua viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ele \u00e9 uma criatura magn\u00edfica, agrade\u00e7o sua aten\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o Bel, mas agora devo me apressar.<\/p>\n\n\n\n<p>Despediu-se e seguiu para a \u00faltima baia, onde encontrou Draunir contente pela primeira vez em tanto tempo. Oito patas fortes, pelagem negra e reluzente, dois pares de olhos \u00edgneos e um sorriso malicioso que se abriu ao v\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ol\u00e1 \u201cIl Mulo\u201d, voc\u00ea est\u00e1 bem melhor agora!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; J\u00e1 pedi que n\u00e3o me chamasse assim \u2013 zombou \u2013 \u00e9 claro que estou bem, Eli e Belerofonte foram atenciosos comigo, sequer imaginava que algu\u00e9m poderia me tratar assim. Quanto a seu amigo, ele sequer se estranhou com meus h\u00e1bitos alimentares.<\/p>\n\n\n\n<p>Draunir podia parecer com um cavalo, ou melhor, com uma mula, por n\u00e3o ser t\u00e3o alto e ter uma constitui\u00e7\u00e3o robusta, mas no fim das contas ele era uma criatura do inferno, seus tra\u00e7os dissonantes dos outros eq\u00fcinos deixavam claro. Quanto \u00e0 sua alimenta\u00e7\u00e3o, era carn\u00edvoro, seus dentes afiados e pontudos deixavam isso bem claro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o ap\u00f3s um longo banquete, o lend\u00e1rio descendente de Sleipnir me dar\u00e1 a honra de cavalg\u00e1-lo? N\u00e3o me levar\u00e1 para nenhuma armadilha?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8211; Sem a menor sombra de d\u00favidas Lunara, s\u00f3 por sair daquela pris\u00e3o e poder movimentar minhas patas novamente, lhe sou eternamente grato. Quanto a minha lealdade,&nbsp;acredite, voc\u00ea sobreviver\u00e1 para conhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Sorriu em retribui\u00e7\u00e3o, alisou o pelo macio e se lembrou da primeira vez que o vira em toda sua impon\u00eancia, bem diferente de como ele estivera nos \u00faltimos tempos, sujo e machucado sendo maltratado na pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o chega de conversa mole, temos um caminho longo a trilhar. \u2013 Queria sair daquelas muralhas o quanto antes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Posso saber para onde iremos?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Claro, conto com sua velocidade lend\u00e1ria para que alcancemos Novalexandria em menos de uma semana. \u2013 O caminho durava mais de vinte dias no trote de um cavalo saud\u00e1vel qualquer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o suba, coloquemos a conversa em dia ganhando um pouco de ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara montou em Draunir, sa\u00edram da estrebaria se despedindo de Belerofonte em um galope moderado. Ao chegarem \u00e0s muralhas de pedra a despedida foi de Eli que estava junto \u00e0 Matrona. Passada a primeira centena de metros fora das muralhas, ele a alertou para que segurasse com for\u00e7a em suas r\u00e9deas.<\/p>\n\n\n\n<p>Rapidamente ganharam velocidade, era incr\u00edvel como ele se movia com aquelas oito patas, Lunara&nbsp;sentia pela primeira vez o prazer da alta velocidade, fixou-se naquela sensa\u00e7\u00e3o por algumas horas sem que conversassem, sem que pensassem na dura tarefa que teriam adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram apenas um com o vento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>Cavalgaram por quase um dia inteiro sem paradas e s\u00f3 fizeram a primeira a pedido de Lunara que n\u00e3o estava acostumada a uma viagem t\u00e3o longa, montaram acampamento e sequer conversaram, pois ela dormira nos primeiros minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanhecia,&nbsp;Lunara olhou para o c\u00e9u e se lembrou que a \u00faltima vez que olhara para ele estava a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, em companhia de Eli e segura dentro das muralhas. Levantou-se assustada por ter baixado tanto a guarda, olhou em volta e n\u00e3o viu qualquer sinal de Draunir.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ele aproveitara seu sono e fugido, era tarde demais para pensar em procur\u00e1-lo. Come\u00e7ou a arrumar suas coisas preparando-se para o pior, encarar uma longe viagem at\u00e9 Novalexandria da forma que Matrona advertira-a de fazer, foi quando ouviu o galopar inconfund\u00edvel da criatura ao longe.<\/p>\n\n\n\n<p>Na plan\u00edcie que se encontravam, Draunir deixava um rastro de poeira por onde passava, trazia algo em sua boca, e de longe era poss\u00edvel definir apenas seus olhos, como quatro far\u00f3is \u00edgneos lhe dando uma apar\u00eancia assustadora, entendia o motivo pelo qual o chamavam de \u201cIl Mulo\u201d, ele era a perfeita semelhan\u00e7a de um terr\u00edvel dem\u00f4nio das hist\u00f3rias antigas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Achei que tinha fugido. \u2013 Lunara disse aquilo fingindo certo desd\u00e9m quando ouviu ele se aproximar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fui ca\u00e7ar \u2013 falou com algo atrapalhando a boca \u2013 e trouxe isso para voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara ouviu o barulho de algo caindo no ch\u00e3o, pensou em manter o desd\u00e9m por mais algum tempo, mas n\u00e3o resistiu, virou-se e viu ali a coxa de um javali ainda com sangue fresco. Draunir ca\u00e7ara para ele e para ela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Aposto que voc\u00ea n\u00e3o come carne de verdade h\u00e1 muito tempo, aceite isso como mais um gesto de minha gratid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Emocionada, aproximou-se de Draunir e abra\u00e7ou-lhe pelo pesco\u00e7o, n\u00e3o disse nada, mas ele sabia que ela era quem agradecia tanto a ele pelos muitos momentos de conversas que tiveram desde sua pris\u00e3o, momentos esses no qual ele ensinou a ela canalizar e a usar sua verdadeira for\u00e7a, exatamente como fizera com Nial naquele momento de raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lunara, nunca daria certo entre n\u00f3s, anatomicamente falando, eu jamais poderia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Cale-se, seu sujo \u2013 Lunara chutou a perna dele e sentiu a dor de bater em algo s\u00f3lido como granito, caiu no ch\u00e3o e come\u00e7ou a se contorcer de dor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Vamos, espero que n\u00e3o tenha quebrado nenhum osso. \u2013 Draunir disse, preocupado.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara come\u00e7ou a fazer um barulho estranho, se contorcia&nbsp;arfando muito e a criatura tomou aquilo por um choro, talvez sua brincadeira tivesse sido muito pesada ou ela tivesse realmente quebrado algo, abaixou sua cabe\u00e7a empurrando-a com o focinho e perguntou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Machucou muito Lunara? Ou minha brincadeira foi est\u00fapida demais?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o era esse o caso, Lunara estava passando mal de tanto rir, chorava de dor sim, mas ria ao mesmo tempo de sua idiotice em chutar a perna da criatura e da mal\u00edcia&nbsp;dele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Anatomicamente \u2013 foi a \u00fanica coisa que disse isso e voltou a se contorcer de tanto rir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s se recompor, agradeceu mais uma vez pela carne e a preparou enquanto terminava de apagar os rastros do acampamento, conversaram amistosamente com bem menos seriedade com a qual estavam acostumados naquela pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Draunir disse, a carne era maravilhosa, ele concordou e disse que a preferia crua. Enfim se levantaram e deram continuidade \u00e0 viagem com um peso a menos em seus ombros, agradeciam em sil\u00eancio a amizade que tinham.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>O resto dos dias n\u00e3o foram t\u00e3o generosos quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Era incr\u00edvel que com apenas alguns dias de viagem o clima pudesse mudar tanto, sa\u00edram da Sinagoga Sinistra, onde fazia calor, passaram por um deserto causticante e por fim chegaram \u00e0 neve, com um frio terr\u00edvel e inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o anoitecer do quinto dia, Lunara se perguntou se conseguiria completar a jornada, j\u00e1 que faltava tanto para chegar e ainda mais tanto para ser conquistado. Draunir a animou quando disse:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Se continuarmos agora, chegaremos pelo amanhecer. J\u00e1 consigo ver ao longe o obelisco de Novalexandria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o sabia que voc\u00ea podia enxergar coisas t\u00e3o longe, ainda mais com essa nevasca.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Acredite em mim Lunara, s\u00e3o poucas as coisas que n\u00e3o posso ver com esses olhos, e menos ainda as que conseguem esconder algo de mim \u2013 deu a ela um olhar malicioso de cima a baixo, como faria um adolescente vendo aquele belo corpo escultural.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ent\u00e3o vamos terminar isso logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mala que carregava, tirou uma t\u00fanica cinzenta bel\u00edssima, ficou nua na frente de Draunir e come\u00e7ou a se trocar:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o devo ter nada que voc\u00ea n\u00e3o tenha visto antes, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ap\u00f3s colocar a t\u00fanica que, mesmo sendo fina, era muito mais efetiva para proteg\u00ea-la daquele frio, amarrou o cabelo e colocou nele uma pequena rede. Com o medalh\u00e3o, que completou sua vestimenta, estava pronta para encontrar qualquer um como representante de assuntos oficiais da Sinagoga Sinistra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Uau, voc\u00ea tem classe \u2013 Draunir debochou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim, e aposto que isso voc\u00ea n\u00e3o tinha conseguido ver ainda \u2013 Montou novamente, e seguiram as \u00faltimas horas de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Draunir provou estar certo, na manh\u00e3 seguinte ela j\u00e1 conseguia ver o Obelisco de Novalexandria, embora conhecesse os rumores, nunca estivera ali, e se espantou ao ver que tudo era um deserto de neve, uma imensid\u00e3o branca sem fim.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea tem certeza que estamos no lugar certo?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim, Lunara, e pelo visto essa \u00e9 a sua primeira vez aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ela permanecia frustrada esperando piscar e ver a monumental cidade \u00e0 sua frente, continuaram a galopar, chegando por fim ao Obelisco.&nbsp; Draunir se aproximou o bastante dele e disse:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Desejamos entrar na cidade de Novalexandria.<\/p>\n\n\n\n<p>O Obelisco negro foi subitamente iluminado por uma luz azul que percorreu toda sua extens\u00e3o, revelando nele desenhos entalhados que antes eram invis\u00edveis aos olhos nus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quem deseja entrar na cidade de Novalexandria? \u2013 a voz surgira vinda do Obelisco, era masculina e n\u00e3o muito forte, talvez fosse de um homem jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lunara, da Sinagoga Sinistra. \u2013 Assim ela disse ao receber a indica\u00e7\u00e3o com a cabe\u00e7a de sua montaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez a luz azul subiu pelo Obelisco, mas dessa vez deixou para tr\u00e1s uma pequena esfera na altura do rosto de Lunara, a esfera pareceu girar e Lunara percebeu que aquilo era um olho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o temos assuntos com a Sinagoga Sinistra. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 bem-vinda aqui. Retire-se ou sofra as conseq\u00fc\u00eancias. \u2013 A voz tornara-se menos amistosa, Lunara percebeu que realmente tinha motivos para desconfiar tanto dos Novalexandrinos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Vim em uma busca oficial da Sinagoga Sinistra, estou \u00e0 procura de um tomo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Todos est\u00e3o \u00e0 procura de algum de nossos tesouros. Mas eles n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para nenhum n\u00e3o-Novalexandrino.&nbsp; Retire-se, esse \u00e9 o \u00faltimo aviso! \u2013 A voz n\u00e3o era mais a mesma, embora tivesse semelhan\u00e7a, agora era grossa e amea\u00e7adora, fazendo com que Lunara suasse mesmo naquele frio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o fiz essa viagem toda para voltar de m\u00e3os vazias, nem mesmo vim para c\u00e1 sem ter nada a oferecer \u2013 colocou a m\u00e3o na bolsa e a voz respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o fa\u00e7a movimentos bruscos, retire o que quer que seja de sua mochila lentamente. \u2013 E a voz transformara-se novamente na primeira voz ouvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara obedeceu, tirou da mochila um pequeno livro de autoria de Matrona, um manual sobre o trato com plantas h\u00edbridas do inferno, desde pragas que se infestavam em minutos, at\u00e9 ervas que podiam trazer um morto de volta \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Este tomo foi escrito por Matrona, \u00e9 um presente para as fileiras de Novalexandria se eu encontrar o que vim buscar aqui \u2013 O olho virou-se diretamente para o livro e ordenou que ele fosse aberto, provando ter algum conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sua entrada foi autorizada. Seja bem-vinda \u00e0 Novalexandria, a morada do saber.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Obelisco se apagou completamente, ap\u00f3s alguns segundos a neve o ch\u00e3o coberto de neve come\u00e7ou a se levantar, revelando um enorme ancoradouro, aquela constru\u00e7\u00e3o deixou Lunara boquiaberta, jamais vira tanta tecnologia em sua vida, quanto mais em uma porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o som enfim cessou, a neve come\u00e7ou a derreter rapidamente revelando uma porta enorme de metal vermelho pelo calor. Poucos segundos depois, quando n\u00e3o restara neve no caminho, a porta expeliu vapor pela sua parte superior e o metal se tornou novamente cinzento. Outro barulho e finalmente a porta para Novalexandria se abria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Essa sua cara de besta, definitivamente, eu jamais tinha visto \u2013 Draunir riu enquanto Lunara ainda estava tentando absorver tudo que acontecera ali em uma fra\u00e7\u00e3o de segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Adentraram o ancoradouro e desceram por uma rampa que se estendia por mais de duzentos metros, por fim chegaram a uma segunda porta de a\u00e7o.&nbsp; Uma terceira se levantou quase 20 metros atr\u00e1s deles e repentinamente o ch\u00e3o come\u00e7ou a descer, estavam em um dos in\u00fameros elevadores de carga rumo ao cora\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara sentia que a velocidade da descida era incrivelmente r\u00e1pida, mas ainda assim n\u00e3o parecia sentir qualquer efeito dela, apenas uma pequena sensa\u00e7\u00e3o de desconforto no est\u00f4mago como se estivesse em queda livre.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o se preocupe, n\u00e3o iremos cair e nos espatifar no ch\u00e3o \u2013 Draunir j\u00e1 estivera na cidade, embora jamais tivesse contado para Lunara.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8211; J\u00e1 vi que n\u00e3o \u00e9 sua primeira vez aqui, certo?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Acertou em cheio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E porque jamais me disse como seria a recep\u00e7\u00e3o ou mesmo essa maravilha tecnol\u00f3gica?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E perder a sua cara de surpresa? Jamais!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando enfim pararam, quase dez minutos depois, foram recebidos com cordialidade, bem diferente do tratamento dado pela voz do Obelisco. Eram os guardas da cidade, e eles tinham a fun\u00e7\u00e3o de expulsar qualquer invasor, o chefe de seguran\u00e7a pediu desculpas pelo mal-entendido e levou Lunara diretamente para o Bibliotecario, o l\u00edder absoluto de Novalexandria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lunara da Sinagoga Sinistra, deixe-me ver o volume que voc\u00ea traz em m\u00e3os \u2013 sem sequer se apresentar, o Bibliotec\u00e1rio avan\u00e7ou ao ver o tomo nas m\u00e3os de Lunara.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Espere! Quem \u00e9 voc\u00ea? \u2013 Ela entrou na defensiva afastando o homem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu? Oras, eu sou o Bibliotec\u00e1rio, deixe-me ver logo esse volume escrito pelas suaves m\u00e3os de Matrona. \u2013 O homem n\u00e3o parecia em nada com um l\u00edder absoluto de tamanha cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Seu nome, estamos em desvantagem aqui. \u2013 Saiu da postura defensiva e assumiu um tom agressivo, sabia que se o homem colocasse as m\u00e3os no livro, n\u00e3o teria garantia alguma de sair dali com o que viera procurar, tampouco de sair com vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Oras, meu nome? Voc\u00ea pode me chamar de Mindlin, o importante n\u00e3o \u00e9 meu nome, mas sim o livro que voc\u00ea carrega consigo. Vamos, me deixe v\u00ea-lo! \u2013 A semelhan\u00e7a dele com Nial&nbsp;era impressionante, e pela primeira vez ela percebeu a armadilha que o velho tentara armar para ela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o, tudo a seu tempo \u2013 invocou a ben\u00e7\u00e3o dada pela Matrona, e a rede de seu cabelo foi consumida pelas chamas em que se transformaram seu cabelo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Usando de magia em minha presen\u00e7a? \u2013 O homem estava completamente desequilibrado, avan\u00e7ou vorazmente rumo ao pesco\u00e7o de Lunara, mas parecia ter se esquecido de Draunir, que por sua vez, mordeu-lhe a m\u00e3o e nocauteou os dois guardas que estavam atr\u00e1s armados com um coice.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Solte minha m\u00e3o sua criatura imbecil, solte ou irei mandar voc\u00ea de volta para a masmorra de onde voc\u00ea jamais deveria ter sa\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Acalme-se Mindlin, irm\u00e3o de Nial. Do contr\u00e1rio meu amigo ir\u00e1 jantar a \u201ccarne ex\u00f3tica\u201d de seu bra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mindlin pareceu ser atingido por um golpe, acalmou-se instantaneamente como por m\u00e1gica:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Como voc\u00eas souberam? \u2013 perguntou abismado<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Que voc\u00ea \u00e9 irm\u00e3o de Nial?&nbsp; Ou que foi voc\u00ea quem enviou para ele um livro sobre receitas ex\u00f3ticas para preparar uma montaria infernal e adquirir o poder de atravessar os mundos? Talvez voc\u00ea esteja falando na verdade da armadilha que seu irm\u00e3o tentou preparar para mim, para que eu sa\u00edsse definitivamente de seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara deduziu tudo rapidamente, lembrou-se do livro impec\u00e1vel que foi encontrado com os dois mortos por Draunir, da forma como Nial exerceu seu poder para que ningu\u00e9m mais o visse, tratando-o como um di\u00e1rio pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuou a se lembrar, como se o pr\u00f3prio Peregrino estivesse falando em seu ouvido, de ter visto o livro nos aposentos de Nial quando lhe inquiriu sobre a pris\u00e3o da criatura, do que leu aterrorizada naquele livro roubado momentaneamente por Eli sobre como sacrificar e absorver o poder natural de Draunir.<\/p>\n\n\n\n<p>E por fim, lembrou-se da mancha negra no olho direito de Nial, partilhada por Mindlin e que deixava claro o parentesco entre os dois. O resto foi a pura dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica dela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; A armadilha que seu irm\u00e3o pensou ser infal\u00edvel contava com apenas uma falha, voc\u00ea sabia que se tentasse me matar eu iria queimar o livro e, que ele preferiria isso a entregar a voc\u00ea uma c\u00f3pia dos preciosos estudos de Matrona, por isso me trouxe aqui pessoalmente, para certificar-se de que teria seu precioso livro antes que eu morresse \u2013 a labareda de seu cabelo se ergueu e Draunir soltou a m\u00e3o do homem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Agora voc\u00ea tem apenas duas op\u00e7\u00f5es, Mindlin, mate-me e perca de vez esse livro, ou fa\u00e7a a troca exatamente como foi solicitado pela Sinagoga Sinistra. E n\u00e3o pense em me trair \u2013levantou os bra\u00e7os e a chama que estava em sua cabe\u00e7a direcionou-se para as m\u00e3os ap\u00f3s o livro cair no ch\u00e3o \u2013 Esse cora\u00e7\u00e3o \u00edgneo permanecer\u00e1 aqui at\u00e9 que eu esteja longe e a salvo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela abaixou as m\u00e3os e a chama enfraqueceu se transformando em uma esfera alaranjada muito semelhante ao magma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Entregue-me o tomo que eu vim buscar \u2013 tirou a lasca de pedra da mochila e arremessou para ele \u2013 fique com o livro a voc\u00ea foi destinado. Mas se algo acontecer comigo, esse cora\u00e7\u00e3o ir\u00e1 explodir, e acredite, sua perda ser\u00e1 irrepar\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O que me diz Mindlin?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Qual \u00e9 a garantia de que voc\u00ea n\u00e3o ir\u00e1 destruir meus tesouros por vingan\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ao contr\u00e1rio de voc\u00ea e seu irm\u00e3o, eu fiz um juramento \u00e0 terra de que eu lutaria para que a humanidade tivesse uma nova chance, essa \u00e9 minha palavra e a minha honra. Portanto, se eu sair daqui em seguran\u00e7a, o cora\u00e7\u00e3o dissipar\u00e1 e nada ser\u00e1 perdido. Seria uma enorme perda para a humanidade perder o \u00faltimo reduto de sabedoria e conhecimento que pode construir um novo amanh\u00e3 e devolver o nosso c\u00e9u, mesmo que eu sabia que tal preciosidade est\u00e1 nas m\u00e3os de um homem mesquinho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; De forma alguma, Senhorita Lunara. \u2013 Uma voz calma surgiu atr\u00e1s dela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Pe\u00e7o desculpas pelo que Niaz fez aqui. \u2013 O homem passou por Lunara pacificamente, era muito mais velho que Mindlin, usava um par de \u00f3culos fino e andava auxiliado por uma bengala, parou de frente ao irm\u00e3o de Nial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Niaz, voc\u00ea achou realmente que conseguiria me deixar afastado desse assunto?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Senhor Mindlin&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sem mais, acompanhe os guardas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o irm\u00e3o de Nial ser levado pelos guardas, o homem reiterou suas desculpas mais algumas vezes, apresentou-se como o verdadeiro Mindlin, o Bibliotec\u00e1rio e disse que aquele que tentara se passar por ele era Niaz, de fato, irm\u00e3o de Nial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Agora me diga senhorita Lunara, como poderia recompens\u00e1-la por esse desconforto causado por um de meus funcion\u00e1rios? Pe\u00e7o apenas que n\u00e3o pe\u00e7a pela vida dele, embora ele seja o homem mais avaro que conheci em vida, ele \u00e9 o melhor tradutor de algumas l\u00ednguas. Acredite, ele ser\u00e1 devidamente punido pelo que fez.<\/p>\n\n\n\n<p>Era sens\u00edvel a diferen\u00e7a entre os dois, Lunara podia finalmente entender o porque daquele homem mesquinho n\u00e3o ter lhe convencido em momento algum de ser o Bibliotec\u00e1rio, j\u00e1 Mindlin sequer precisava se esfor\u00e7ar para que isso fosse percebido. Abriu os bra\u00e7os e recebeu de volta o cora\u00e7\u00e3o \u00edgneo, com isso retirava sua amea\u00e7a a aquele lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; A \u00fanica coisa que pe\u00e7o \u00e9 o tomo a que vim buscar. Tenho um pequeno aprendiz me esperando de volta na Sinagoga e uma boa amiga, a mesma que escreveu esse livro, presente para o senhor \u2013 Entregou-lhe com rever\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quanto a Niaz, apenas pe\u00e7o que n\u00e3o o deixe se comunicar com o irm\u00e3o para avisar que o plano deles falhou, assim posso surpreend\u00ea-lo. Pe\u00e7o desculpas tamb\u00e9m por ter amea\u00e7ado sua cidade e todo o patrim\u00f4nio constru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mindlin sorriu, aceitou as condi\u00e7\u00f5es de Lunara e entregou o tomo que ela viera buscar, junto a ele, entregou seis outras obras, que disse serem complementos muito \u00fateis. Convidou-a para ficar na cidade pelo resto do dia para que se alimentasse e descansasse para a viagem de volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s alimentar-se foi guiada at\u00e9 um quarto enorme, onde lhe esperava Draunir, igualmente alimentado e satisfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por que voc\u00ea n\u00e3o me avisou que aquele homem era uma fraude? \u2013 Disse com mais decep\u00e7\u00e3o na voz que raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Porque eu n\u00e3o sabia Lunara. Ou voc\u00ea acha que em minha estadia anterior aqui eu tive um tratamento desses?<\/p>\n\n\n\n<p>Ela sabia que podia confiar em Draunir, tudo passara a fazer ainda mais sentido, Niaz provavelmente soube da criatura e avisou a Nial que planejara tudo. Antes que dormisse pela exaust\u00e3o, ficou feliz em saber que tinha feito um amigo e frustrado v\u00e1rios planos de Nial, mal podia esperar para voltar \u00e0 Sinagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte foi levada de volta ao elevador por onde entrara em Novalexandria e ao chegar no andar de sa\u00edda l\u00e1 estava Mindlin ao lado de uma mulher:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mais uma vez quero pedir desculpas a voc\u00ea e \u00e0 Sinagoga Sinistra em meu nome e em nome de Novalexandria, sei que esses livros ser\u00e3o \u00fateis, principalmente pela import\u00e2ncia que eles carregam.&nbsp; Mesmoque n\u00e3o tenha lido-os inteiros, de folhe\u00e1-los j\u00e1 deve ter percebido sua import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 o que ser desculpado senhor. Mais uma vez agrade\u00e7o a sua gentileza e hospitalidade e pe\u00e7o desculpas por qualquer problema que possamos ter causado \u2013 Reverenciou o homem em seguida montou em Draunir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E quanto aos livros, o que achou deles?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; S\u00e3o belos e se o senhor diz que ser\u00e3o \u00fateis, acredito em sua palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mas voc\u00ea sequer os folheou? \u2013 O homem estava incr\u00e9dulo<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sim senhor, folheei, mas como nunca consegui aprender a ler, n\u00e3o entendi nada do que est\u00e1 neles \u2013 Bem que Matrona tentara ensin\u00e1-la, mas jamais conseguira vencer a dislexia de Lunara.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ouviu isso Guita? \u2013 perguntou \u00e0 mulher \u2013 Essa bela senhorita n\u00e3o sabe ler. Mas ou\u00e7a, volte quando for de sua vontade e iremos ensin\u00e1-la o significado maravilhoso do registro das palavras e como interpret\u00e1-los, pois sei que, agora, sua miss\u00e3o \u00e9 outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunara, em l\u00e1grimas, agradeceu a Mindlin, prometeu que voltaria oportunamente com Draunir e partiu de Novalexandria agradecendo ao Peregrino pela \u00faltima vez, pois a voz dele, n\u00e3o mais sendo necess\u00e1ria, silenciara-se para sempre.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(avareza) &#8211; A beleza do c\u00e9u de hoje n\u00e3o \u00e9 sequer sombra da de antigamente. 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